Três tamanhos de transmissão, e o que entra em cada um
O preço de uma transmissão não sai de uma tabela, sai do tamanho da operação. Quatro perguntas separam a transmissão de uma pessoa da estrutura de emissora, e mostram o que muda em cada degrau.
"Quanto custa montar uma transmissão?" é a pergunta que mais chega, e a mais difícil de responder por mensagem. Não porque exista segredo, mas porque a resposta muda de um lugar para outro, e uma tabela de preço induziria mais erro do que ajudaria.
O que dá para dizer com segurança é qual o tamanho da sua operação. E o tamanho define o que entra no projeto muito mais do que a marca da câmera.
As quatro perguntas que definem o tamanho
- Quantas câmeras estão no ar ao mesmo tempo?
- Quantas pessoas operam?
- Qual a distância entre a câmera mais longe e a mesa de corte?
- O sinal precisa chegar a mais de um lugar? Telão, sala ao lado, gravação oficial, imprensa.
Com as quatro respostas, a operação cai quase sempre num destes três tamanhos.
Tamanho 1: uma pessoa, até quatro fontes
O perfil: uma pessoa opera tudo, as câmeras ficam perto da mesa, o sinal vai para uma plataforma e para uma gravação.
Quem está aqui: quem grava e transmite sozinho, a sala de aula híbrida, a palestra de empresa, o culto de igreja pequena, a sessão de uma câmara pequena.
O que entra:
- Uma mesa de corte compacta, com transmissão e gravação no próprio aparelho, ou um estúdio portátil com tela.
- Duas a quatro câmeras ligadas por HDMI.
- Microfone sem fio para quem fala, ou o áudio da mesa de som que já existe.
- Uma luz principal, quando o lugar é escuro.
O que não entra: intercom, matriz de roteamento, cabeamento SDI e painel de corte separado.
Exemplos prontos: o estúdio de uma pessoa só, a transmissão em maleta e a sala de aula híbrida. Para escolher a mesa desse tamanho, os textos sobre qual ATEM Mini escolher e como escolher um estúdio portátil ajudam.
Tamanho 2: equipe pequena, sinal em mais de um lugar
O perfil: de três a cinco pessoas, três câmeras ou mais, a câmera mais longe passa dos 15 metros, e o sinal vai ao mesmo tempo para a plataforma, para o telão e para a gravação.
Quem está aqui: o congresso com telão, o auditório de faculdade, o culto completo com equipe de voluntários.
O que muda em relação ao tamanho 1:
- O cabeamento passa a ser SDI, porque as distâncias passam do que o HDMI aguenta. A regra está em HDMI ou SDI: até onde vai cada um.
- A mesa de corte vai para o rack, com mais entradas e gravação separada de cada câmera.
- Entra o intercom, porque três pessoas em lugares diferentes não se coordenam por gesto. O texto sobre intercom explica a partir de quando.
- Entram conversores, para o notebook do palestrante chegar à técnica e o sinal chegar ao telão.
Exemplos prontos: o congresso com telão e gravação e o auditório com transmissão, os dois com três câmeras de estúdio em SDI e mesa de rack.
Tamanho 3: operação diária, estrutura de emissora
O perfil: equipe fixa, operação toda semana ou todo dia, quatro câmeras ou mais, sinal distribuído para vários ambientes e gravação que precisa existir mesmo se algo falhar.
Quem está aqui: o estúdio de jornalismo, o estádio com replay e telão, o plenário com canal próprio.
O que muda em relação ao tamanho 2:
- Painel de corte físico para o diretor, separado da mesa.
- Controle de câmera dedicado, para ajustar íris, branco e ganho de todas as câmeras de um ponto só.
- Matriz de roteamento, que leva o sinal entre estúdio, edição, telão, imprensa e gravação sem trocar cabo.
- Gravação redundante, em dois equipamentos independentes.
- Intercom com mais alcance e mais pessoas, cobrindo o prédio ou o estádio inteiro.
Exemplos prontos: o estúdio de jornalismo e o jogo com replay e telão.
O que não define o tamanho
Duas coisas parecem definir, e não definem:
- A resolução. Dá para fazer transmissão de tamanho 1 em 4K e de tamanho 3 em Full HD. Resolução é uma escolha dentro de cada tamanho, não um degrau.
- O preço da câmera. Uma câmera cara num projeto de tamanho 1 continua num projeto de tamanho 1. O que faz o projeto crescer é o número de pessoas, a distância e os destinos do sinal.
O erro de subir de tamanho aos poucos, sem plano
A maioria das operações começa no tamanho 1 e cresce. Isso é bom. O problema é crescer comprando peça por peça, sem olhar para o próximo degrau: uma mesa sem entradas sobrando, câmeras de famílias diferentes, cabo HDMI esticado até onde não aguenta.
Quem sabe que vai crescer escolhe no tamanho 1 equipamento que continua útil no tamanho 2. É uma conversa que vale ter antes da primeira compra.
Por que a BCTV não publica preço
Porque o mesmo tamanho custa diferente em cada lugar. O prédio decide o cabeamento; a equipe decide o intercom; o que você já tem decide o que não precisa comprar. Um preço de vitrine vira promessa que não se cumpre na visita.
O que fazemos é o contrário: você abre um dos projetos prontos, ajusta as quantidades, tira o que já tem e manda a lista. O consultor confere e devolve o orçamento com o projeto conferido. Fale com um consultor respondendo às quatro perguntas do começo deste texto, e a conversa já começa no tamanho certo.



