Como escolher um estúdio portátil para transmitir
Estúdio portátil é o aparelho que corta, grava e transmite com tela própria. Os modelos parecem iguais na foto e resolvem produções bem diferentes. A escolha começa pelo tipo de câmera e termina na internet do lugar.
Uma transmissão normalmente espalha o trabalho por vários aparelhos: mesa de corte, monitor, gravador e encoder. O estúdio portátil junta tudo isso numa caixa só, com a tela que mostra as câmeras no próprio aparelho. É por isso que ele aparece tanto em evento que monta e desmonta no mesmo dia, em auditório de faculdade e em ginásio.
Mas "portátil" não quer dizer que todos os modelos fazem o mesmo trabalho. A diferença entre eles está em três perguntas:
- Que câmeras entram: HDMI, SDI ou PTZ ligada por cabo de rede?
- Cada câmera precisa ficar gravada separada?
- Por onde a internet vai chegar?
Existem três caminhos no catálogo da BCTV, e cada um responde melhor a uma dessas perguntas.
NEOiD ESTUDIO com monitor: o corte e a tela no mesmo chassi
A linha ESTUDIO da NEOiD tem modelos com monitor embutido. Os três que importam aqui se separam pelo tipo de entrada e pelo que fazem com o sinal.
- O ESTUDIO 4+ Monitor tem quatro entradas HDMI e tela IPS Full HD de 10,1 polegadas. Trabalha até 1080p60, transmite pela rede em RTMP, RTMPS ou SRT e grava em cartão SD ou disco USB. Tem chroma key, luma key, dois PiP e logotipo no canto, e um mixer para as quatro câmeras mais dois microfones.
- O ESTUDIO6+ Monitor tem quatro entradas SDI e duas HDMI, com tela de 13,3 polegadas. Ele não transmite nem grava sozinho: o programa sai pelo USB-C e o computador faz a transmissão, reconhecendo o aparelho como webcam.
- O ESTUDIO 6+ Monitor 2 tem seis entradas SDI e duas HDMI, tela de 17,3 polegadas, transmissão em RTMP e gravação em cartão SD ou disco USB. Traz duas entradas XLR com alimentação fantasma, controle de câmeras PTZ pelo próprio painel e 20 macros para repetir a abertura e as trocas de bloco.
Servem para palestra, aula, culto, jogo de ginásio e evento com duas a seis câmeras. Os limites estão na ficha de cada um:
- Os três trabalham até 1080p60. No ESTUDIO 6+ Monitor 2, as entradas HDMI aceitam até 4K60, mas o processamento e as saídas ficam em 1080p60.
- O ESTUDIO 4+ Monitor só tem HDMI. Câmera SDI precisa de conversor antes.
- O áudio do 4+ entra em P2 de 3,5 mm. Microfone XLR entra por uma mesa de som ligada numa delas.
- No 6+ Monitor 2, só seis fontes ficam no corte ao mesmo tempo, mesmo com oito conectores de entrada. Ele pesa 5,24 kg e é equipamento de mesa.
Datavideo HS-1600T MARK II: a maleta para câmera PTZ
O HS-1600T MARK II, da Datavideo, é um estúdio portátil em maleta, pensado para quem usa câmeras PTZ presas na parede. Tem três entradas HDBaseT e uma HDMI, monitor Full HD de 17,3 polegadas e pesa 7,8 kg.
HDBaseT é o padrão que leva vídeo, energia e controle por um cabo de rede por câmera. Isso resolve o auditório em que a PTZ fica no alto, longe da tomada. O aparelho comanda até três PTZ da Datavideo sem controlador separado e liga o rastreamento automático, que segue a pessoa designada.
Transmite em H.264, com taxa de até 10 Mbps, por RTMP, RTMPS, SRT, HLS e RTSP, e grava em MP4. O áudio entra por dois XLR balanceados e um par RCA, num mixer de quatro canais.
O que conferir antes:
- As três entradas de câmera são HDBaseT. Fora elas, sobra uma entrada HDMI, e não há entrada SDI.
- O cabo deve ser Cat6A blindado, e a Datavideo publica uma lista de cabos HDBaseT certificados.
- Os efeitos são básicos: um keyer com luma key e um PiP, sem chroma key.
Para entender como a PTZ se comporta numa sala, leia o texto sobre câmera PTZ em sala de aula e plenário.
ATEM Mini com transmissor Kiloview: quando a internet é o problema
O terceiro caminho junta dois aparelhos, e vale quando duas coisas pesam: cada câmera precisa ficar gravada separada ou a internet do lugar não dá confiança.
O ATEM Mini Pro ISO, da Blackmagic Design, tem quatro entradas HDMI e grava as quatro câmeras separadas, mais o programa, num disco USB. O arquivo sai com um projeto do DaVinci Resolve com os cortes feitos ao vivo, o que explica o texto sobre gravação ISO. Ele transmite direto pela Ethernet, mas não tem tela: pede um monitor externo, e o texto sobre qual ATEM Mini escolher mostra os outros modelos da família.
Para a internet, entra um transmissor de mochila da Kiloview, ligado na saída HDMI de programa da mesa:
- O Kiloview P3 soma até quatro chips de celular, wi-fi de 2,4 e 5 GHz e cabo numa transmissão só. Aceita 3G-SDI, HDMI até 4K e USB, fala SRT e RTMP, grava em cartão e tem mais de 5 horas de bateria. Pesa 2 kg.
- O Mochilink P1 e P2 somam até quatro conexões, entre chips 4G, wi-fi e rede. O P1 tem entrada SDI e o P2, HDMI, e transmitem até 1080p60 em H.264. Pesam 400 gramas. A pergunta sobre P1, P2 ou P3 detalha a diferença.
O custo desse caminho é ter dois aparelhos, mais monitor e cabos. Os chips e os planos de dados são por conta da operação, e a qualidade do ao vivo depende do sinal no local. Para um caminho de reserva mais simples, o ATEM Mini Extreme ISO G2 aceita a internet de um celular compartilhada pelo USB-C.
O resumo
| Caminho | Entradas | Tela | Transmite sozinho | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| NEOiD ESTUDIO 4+ Monitor | 4 HDMI | 10,1 polegadas | sim, em RTMP, RTMPS ou SRT | chroma key e dois PiP |
| NEOiD ESTUDIO6+ Monitor | 4 SDI e 2 HDMI | 13,3 polegadas | não, o computador transmite pelo USB-C | saídas em SDI e HDMI |
| NEOiD ESTUDIO 6+ Monitor 2 | 6 SDI e 2 HDMI | 17,3 polegadas | sim, em RTMP | XLR com phantom e controle de PTZ |
| Datavideo HS-1600T MARK II | 3 HDBaseT e 1 HDMI | 17,3 polegadas | sim, com RTMP, SRT e outros | PTZ por um cabo de rede |
| ATEM Mini Pro ISO e Kiloview | 4 HDMI | monitor externo | sim, pela mesa ou pelo transmissor | gravação de cada câmera e soma de redes |
As fichas da NEOiD e da Datavideo não listam gravação separada de cada câmera. Para essa necessidade, o caminho é a linha ATEM Mini ISO.
Internet: o ponto que decide o evento
Os estúdios portáteis deste texto transmitem pela porta de rede, e as fichas não listam entrada para chip de dados. Por isso valem duas regras:
- Cabo de rede sempre que existir. É a conexão mais estável, e o texto sobre a internet que não cai explica o porquê.
- Onde só existe sinal de celular, some as conexões. É o trabalho do transmissor Kiloview, e esta resposta diz o que testar antes. Sinal num ginásio vazio não diz nada sobre o mesmo ginásio cheio, então teste no lugar e no horário do evento.
Outro ponto vale conferir cedo: os três caminhos ligam numa fonte de energia. Se o evento acontece onde não há tomada, isso entra na conta antes da escolha do modelo.
Estúdio portátil ou mesa de corte?
A dúvida aparece muito. O estúdio traz a tela no próprio aparelho e monta em minutos. A mesa de corte, como a linha ATEM Mini, pede monitor e rede separados, e costuma ser a escolha de um lugar fixo, com equipe de mídia que edita depois. Os dois caminhos estão comparados no texto ATEM Mini Extreme ISO G2 ou estúdio portátil.
Por onde começar
Conte as câmeras que você usa hoje e as que pretende usar no próximo ano, e veja que saída cada uma tem: HDMI, SDI ou rede. Se alguém edita depois e quer cada câmera separada, o caminho muda. O projeto de transmissão em maleta mostra um kit desse tamanho montado.
Fale com um consultor dizendo quantas câmeras, que saída elas têm e como é a internet onde você transmite. É com isso que o modelo certo aparece.





