Transmissor de vídeo sem fio: alcance, atraso e o que conferir antes
O alcance que está no catálogo é de visada livre e cai com gente e parede. Antes de comprar, confira atraso, faixa de 5 GHz, entrada HDMI ou SDI e como o transmissor vai ser alimentado.
Transmissor de vídeo sem fio é um par de aparelhos: um fica na câmera e recebe a imagem pela saída HDMI ou SDI, o outro fica na mesa de corte ou no monitor e devolve essa imagem por uma saída de vídeo, sem cabo no meio. O número que aparece na caixa, o alcance, é o menos confiável do conjunto. Ele foi medido em visada livre, e evento de verdade tem gente, parede, palco e rede wi-fi.
Dá para escolher bem. A escolha passa por quatro perguntas: quanto de alcance sobra no seu local, quanto atraso você aceita, a faixa de 5 GHz está livre e como o transmissor vai ser alimentado.
O alcance do catálogo é de visada livre
O fabricante mede o alcance em campo aberto, sem obstáculo entre as duas pontas. Na página oficial do Mars M1 Enhanced, a Hollyland informa até 150 metros e diz que o teste foi feito em ambiente externo, sem obstrução e sem interferência. No Mars 300 PRO, a página informa até 100 metros, e o número vale também para o kit Enhanced, que é o mesmo sistema com antenas destacáveis no transmissor. Nenhuma das duas traz número para parede, corredor cheio ou uso em ambiente fechado.
Isso não é defeito do produto. O fabricante mede assim justamente porque obstáculo e interferência tiram alcance. No evento, a plateia cheia fica entre o transmissor do palco e o receptor da cabine, e ainda pode ter parede, estrutura metálica de estande ou cortina pesada no caminho.
Por isso a BCTV trata o número da ficha como teto, nunca como projeto. O que a gente pergunta é o caminho real do sinal: tem gente de pé no meio? Tem parede ou estrutura? O receptor enxerga o transmissor ou fica atrás de uma coluna? Um receptor bem posicionado, alto e com vista para o palco, rende mais do que um modelo de alcance maior escondido no fundo da cabine.
Atraso: o que muda no corte ao vivo
Os dois modelos anunciam atraso na casa de um décimo de segundo: 0,1 segundo no Mars 300 PRO e cerca de 0,08 segundo na transmissão do Mars M1 Enhanced, segundo as páginas oficiais. A 30 quadros por segundo, 0,1 segundo equivale a uns três quadros.
Para monitorar, é pouco. O problema aparece em duas situações:
- Corte sobre ação. Quem opera a mesa decide olhando a imagem que chegou, não a que está acontecendo. Se o atraso é pequeno e constante, o olho se acostuma. Se a câmera sem fio é a da ação rápida, como entrada do noivo, jogada ou desfile, o corte sai um pouco atrasado.
- Som e imagem juntos. Se a voz vai por cabo até a mesa e a imagem vai pelo ar, a boca fica atrasada em relação ao som. Confira se a sua mesa tem ajuste de atraso no áudio para compensar. O erro comum é só perceber no ar.
O atraso também soma: câmera, transmissor, receptor e mesa acrescentam um pouco cada. O número do transmissor é só uma parte da conta.
5 GHz, wi-fi do local e outros ruídos
Esses sistemas trabalham na faixa de 5 GHz, a mesma de boa parte das redes wi-fi modernas. A página do Mars 300 PRO indica 5 GHz com canal de 20 MHz. A do Mars M1 Enhanced lista quatro sub-bandas entre 5,150 e 5,850 GHz e avisa que a frequência e a potência variam conforme o país: algumas regiões proíbem parte dessas faixas e outras liberam 5,1 e 5,2 GHz só para uso interno. O mesmo equipamento pode ter regras diferentes de um mercado para outro, e é isso que a gente confere antes de indicar.
O que costuma dar problema:
- Wi-fi do local. Centro de convenções, hotel, faculdade e igreja com roteadores espalhados disputam o mesmo espectro. O M1 Enhanced tem varredura de canais que mostra quais estão ocupados. Use na montagem, não só depois que a imagem falhou.
- Celular servindo de roteador. Cada hotspot ligado na plateia ou na equipe é mais uma rede disputando espaço.
- Mais de um sistema sem fio no mesmo evento. Duas ou três câmeras sem fio pedem um plano de canais por escrito, com o canal de cada uma anotado. É o item que mais esquecem.
Se a imagem cai em algum ponto, antes de culpar o aparelho, mude o receptor de lugar e troque o canal.
HDMI ou SDI no transmissor
A entrada do transmissor tem que casar com a saída da câmera. Câmera de estúdio e câmera de cinema costumam ter SDI, com conector que trava e aguenta o dia inteiro de evento. Câmera fotográfica e filmadora compacta têm HDMI. A conversa completa está em HDMI ou SDI: até onde vai cada um.
Dois detalhes que só aparecem na bancada:
- A saída do receptor pode não ser do mesmo tipo da entrada. O Mars M1 Enhanced é um monitor de 5,5 polegadas que funciona como transmissor ou como receptor, conforme o modo escolhido. Pela página oficial, no modo transmissor ele aceita HDMI e 3G-SDI, mas no modo receptor entrega só HDMI. Se a sua mesa de corte tem entradas SDI, entra um conversor no caminho. O Mars 300 PRO é HDMI de ponta a ponta.
- 4K na entrada não quer dizer 4K no ar. O M1 Enhanced aceita HDMI até 4096x2160 a 30 quadros por segundo, mas a própria Hollyland avisa que esse sinal aparece na tela reduzido e não é transmitido sem fio. Para mandar a imagem pelo ar, a câmera precisa sair em até 1080p a 60.
Alimentação: a pergunta que ninguém faz
O transmissor fica em cima de uma câmera que já tem bateria própria, e ele precisa da dele. As páginas oficiais indicam as opções: o Mars 300 PRO roda por USB-C a 5 V ou por bateria NP-F, com consumo abaixo de 11 W no transmissor. O M1 Enhanced aceita entrada DC de 7 a 16 V, bateria NP-F e bateria D-Tap pelo cabo que vem na caixa, com consumo abaixo de 16 W no modo transmissor e de 13,6 W no modo receptor. Nenhuma das páginas informa autonomia, então a duração depende da bateria que você coloca.
A conta que a BCTV faz: horas totais do evento, quantas câmeras sem fio e se dá para trocar bateria sem derrubar a imagem. Para evento longo, alimentar por cabo DC ou por uma bateria maior tira o risco de a câmera sumir na hora do discurso. Sobre baterias de câmera, tem texto aqui: V-mount ou Gold Mount.
O que conferir antes de fechar
- Distância e caminho do sinal, com gente e parede no desenho.
- Saída da câmera e entrada da mesa: HDMI, SDI ou conversor.
- Atraso aceitável para o tipo de corte e para o áudio.
- Faixa de 5 GHz permitida no país e plano de canais, se houver mais de um sistema.
- Bateria ou fonte para a duração real do evento.
- Teste no local, com público e luz ligados, antes do dia.
Boa parte dos erros de montagem está resumida em cinco erros que derrubam a transmissão. E quem monta evento sem cabo pode ver como ficou um projeto de câmeras sem cabo.
Se você já tem o local e a lista de câmeras, fale com a BCTV. A gente pergunta a distância, o caminho do sinal e o tamanho da plateia antes de indicar um modelo, e diz com franqueza quando vale testar no local antes de fechar.


