Sphere de Las Vegas em números: a tela, o som e a câmera feita sob medida
Uma tela de 16K por dentro, 167 mil alto-falantes escondidos atrás dela e uma câmera que precisou ser inventada. O que o Sphere tem de extremo, e o que dá para levar para o templo e o auditório.
O Sphere abriu em Las Vegas em setembro de 2023 e virou referência de tudo o que dá para fazer com imagem e som num espaço fechado. Os números impressionam, mas o que interessa para quem trabalha com vídeo é outra coisa: cada número existe porque alguém precisou resolver um problema que todo templo e todo auditório também têm, só que em escala muito menor.
Por fora: uma bola de LED
O prédio tem 111 m de altura e 157 m de largura. A fachada, que a empresa chama de Exosphere, tem cerca de 54 mil m² de LED programável.
Ela é formada por cerca de 1,2 milhão de pontos de luz, a uns 20 cm um do outro. Segundo a imprensa no lançamento, cada ponto reúne 48 LEDs, o que daria quase 58 milhões de LEDs só do lado de fora.
Os pontos ficam tão separados porque quem olha está longe, na rua ou num hotel vizinho. De perto, a fachada é uma grade de luzes. De longe, vira imagem. É a mesma conta que decide o pitch do telão de LED de uma igreja.
Por dentro: a tela de 16K
A tela interna envolve a plateia pela frente, pelos lados e por cima. Tem cerca de 15 mil m², foi montada com 64 mil placas de LED e tem 9 mm entre um pixel e outro.
A imagem é produzida em 16.384 × 16.384 pixels, 32 vezes os pixels de um 4K. Como a tela é uma cúpula e não um quadrado, só parte desse quadro vira LED, e quem toca a imagem são 25 servidores de vídeo de 4K em sincronia.
E a distância ajuda: a plateia mais próxima senta a uns 49 m da tela, e a mais distante a uns 122 m. Com 9 mm de pitch, ninguém vê os pontos.
A câmera que precisou ser inventada
Nenhuma câmera de cinema à venda enchia uma tela dessas com detalhe. A solução foi construir uma: a Big Sky, com sensor de 316 megapixels, que grava 18K em formato quadrado a até 120 quadros por segundo.
O sensor tem cerca de 7,8 cm por 7,6 cm, várias vezes maior que o de uma câmera de cinema comum, e a lente é do tipo olho de peixe, feita para o projeto, com 165 graus de ângulo, para cobrir o campo de visão da plateia.
Fora do Sphere, quem precisa de resolução muito acima da entrega trabalha com câmeras como a URSA Cine 12K LF. A lógica é a mesma, em escala de produção: gravar acima do que vai ao ar dá margem para recortar, estabilizar e sofrer menos com moiré.
O som: 167 mil alto-falantes atrás da tela
Esse é o número que mais surpreende. O sistema de som tem cerca de 1.600 caixas fixas e 300 móveis, que somam 167 mil alto-falantes, cada um com amplificador próprio. Todos ficam escondidos atrás da tela, que deixa o som passar.
Com tanto alto-falante controlado um a um, o som deixa de sair "da caixa" e passa a ser mirado, como uma lanterna mira a luz. As técnicas se chamam beamforming e síntese de campo de onda (wave field synthesis), e o fabricante descreve duas consequências:
- Cada setor pode ouvir um conteúdo diferente ao mesmo tempo, inclusive outro idioma, sem fone. Com intérpretes, o artista poderia falar na língua dele e cada setor ouvir a tradução na sua. A capacidade existe no projeto; não encontramos registro de show que já tenha feito tradução ao vivo assim.
- O som pode parecer vir de um ponto exato da sala, mesmo que não haja caixa ali.
Somam-se a isso 10 mil poltronas que vibram com o grave do filme ou do show.
O que dá para levar para o templo e o auditório
Ninguém vai instalar 167 mil alto-falantes. Mas três ideias do Sphere servem para qualquer espaço:
- A tela é escolhida pela distância de quem assiste. O Sphere usa 9 mm porque a plateia está longe. No templo, a primeira fileira decide o pitch, e o pitch decide a resolução real do telão. O texto sobre pitch mostra a conta.
- O conteúdo é feito para o tamanho da tela. O Sphere produz em 16K porque a tela tem 16K. Um telão de 4 m em P3.9 tem cerca de 1.024 pixels de largura: slide com letra pequena borra, letra de música grande funciona.
- Várias telas pedem sinal sincronizado. O Sphere põe 25 servidores em sincronia para a tela mostrar uma imagem só. Num evento com telão, projetor e transmissão ao mesmo tempo, o problema é o mesmo em escala menor: cada tela precisa receber o formato certo, na hora certa. O projeto Telão, LED e projetor: o sinal certo em cada tela mostra como organizar.
Se o seu templo, teatro ou auditório está planejando telão, câmera ou som novo, fale com um consultor. O Sphere é o extremo, mas as perguntas certas são as mesmas.


