Moiré: por que a camisa listrada estraga a imagem
Aquele arco-íris tremido no terno do palestrante não é defeito da câmera nem da transmissão. É física, e tem três soluções práticas.
O palestrante entra de terno risca de giz. Na tela, o paletó ganha ondas coloridas que tremem quando ele se mexe. A equipe conclui que a câmera é ruim, ou que a transmissão está comprimindo demais.
Não é uma coisa nem outra. Isso é moiré, e a causa é geométrica.
O que está acontecendo
O sensor da câmera é uma grade de pontos. A camisa listrada também é uma grade de linhas. Quando as duas grades têm frequências parecidas, elas interferem uma na outra e criam um terceiro padrão, que não existe na roupa nem no sensor: a ondulação que você vê.
É o mesmo efeito de duas telas de mosquiteiro sobrepostas, ou da roda de carro que parece girar ao contrário no cinema. A diferença é que aqui ele aparece no meio do seu evento.
Onde ele costuma aparecer
- Terno risca de giz e camisa de listra fina
- Gravata com padrão miúdo
- Tela de LED do telão filmada de perto
- Persiana, grade e tela de proteção ao fundo
- Tecido de cadeira com trama fechada
- Padrão xadrez pequeno
Repare que quase tudo da lista é roupa. Por isso emissora manda figurino para o entrevistado.
Três soluções, da mais barata para a mais cara
1. Mude o enquadramento ou a distância. O moiré depende da relação entre o tamanho do padrão na imagem e o tamanho do ponto do sensor. Abrir um pouco o enquadramento, aproximar ou afastar a câmera muda essa relação e o efeito some. É grátis e resolve a maioria dos casos ao vivo.
2. Tire um pouco de foco, com cuidado. Um desfoque muito leve no padrão elimina a interferência. Serve para o fundo, quase nunca para o assunto principal.
3. Avise antes. Em evento corporativo e entrevista, a orientação de figurino resolve o problema na origem: sem listra fina, sem xadrez miúdo, sem gravata de padrão pequeno. Cor lisa sempre funciona.
E o equipamento?
Existe um componente chamado filtro passa-baixa óptico, que fica na frente do sensor justamente para suavizar padrões finos antes de eles chegarem lá. Câmeras de broadcast costumam trazer isso; câmeras fotográficas modernas muitas vezes abrem mão dele para entregar mais nitidez, e por isso sofrem mais com moiré.
Sensor de resolução maior também ajuda, porque a grade do sensor fica mais fina que o padrão da roupa. É um dos motivos práticos, e pouco falados, para gravar em resolução acima da de entrega.
O que não resolve: aumentar a taxa de transmissão, trocar o cabo ou mexer na compressão. O padrão já entrou na imagem quando a luz chegou no sensor.
O caso do telão
Filmar uma tela de LED é um caso à parte: além do moiré, existe o descompasso entre a taxa de atualização do painel e o obturador da câmera, que gera faixas escuras rolando na tela. Aí a solução é ajustar o obturador da câmera até as faixas sumirem, e em instalação fixa vale sincronizar o painel com a câmera.
Se a sua operação filma telão com frequência, ou cobre evento corporativo onde ninguém controla o figurino, fale com um consultor sobre a escolha de câmera. É uma característica que quase não aparece na ficha técnica e aparece toda semana na tela.


