HyperDeck: gravar o programa sem depender do computador
O HyperDeck é um gravador dedicado que guarda o programa da mesa de corte em cartão ou SSD. Veja o que ele grava, como o ATEM o controla e qual modelo escolher.
O HyperDeck é um gravador de vídeo que recebe a saída de programa da mesa de corte e grava em cartão SD ou em SSD, sem computador no meio. Quem monta transmissão ao vivo usa para uma razão simples: o registro do evento deixa de depender da máquina que também está rodando o software de transmissão, a vinheta e o letreiro.
Por que não gravar no próprio computador
Computador de mídia faz muita coisa ao mesmo tempo. Codifica a transmissão, roda gráfico, abre o navegador, às vezes ainda recebe a chamada de vídeo do pastor convidado. Três coisas acontecem com ele, sempre no pior momento:
- Trava. Basta um programa a mais aberto para a gravação perder quadros ou parar sem aviso.
- Atualiza. O sistema decide reiniciar no meio do culto, e o arquivo fica corrompido.
- Enche. Ninguém olhou o espaço livre antes de começar, e a gravação para na hora da ministração.
Um gravador dedicado faz uma só tarefa. Liga, recebe sinal, grava. O registro do evento passa a existir mesmo que a transmissão caia ou que o computador precise ser reiniciado. É a lógica que explicamos no artigo sobre gravação ISO: o gravador de rack é o cinto e o suspensório. Aqui o foco é outro, o próprio aparelho.
O que o HyperDeck grava
Em vez de guardar só a versão comprimida que vai para a internet, o HyperDeck grava um arquivo pensado para a edição depois do evento. Segundo a página oficial da Blackmagic, os quatro modelos HyperDeck Studio gravam em cartões SD comuns e UHS-II, e os codecs mudam de um para outro:
- HyperDeck Studio HD Mini: H.264, ProRes e DNxHD, em SD e HD até 1080p60, com entrada e saída 3G-SDI e saída HDMI.
- HyperDeck Studio HD Plus e HD Pro: H.264 até 1080p60, e ProRes e DNx também em Ultra HD até 2160p30. O Plus grava em cartões SD e o Pro tem ainda dois compartimentos para SSD de 2,5 polegadas.
- HyperDeck Studio 4K Pro: H.264, H.265, ProRes e DNx, com Ultra HD até 2160p60, entrada e saída 12G-SDI e HDMI 2.0.
O formato de cada arquivo muda o que sobra para a edição. Para a escolha entre H.264 e ProRes, o artigo sobre em que formato transmitir e em que formato gravar já cobre o raciocínio.
A mídia também protege a gravação. Todos os modelos têm dois compartimentos de cartão SD, e quando o primeiro cartão enche, a gravação continua automaticamente no seguinte. Os dois modelos Pro somam dois compartimentos de SSD, e o HD Mini e o HD Plus aceitam disco externo pela porta USB-C. Os arquivos são gravados em ExFAT ou HFS+.
Controle pelo ATEM, vinheta e replay
O HyperDeck tem porta de rede, e os switchers ATEM se conectam a ele por Ethernet. O vídeo continua chegando pelo cabo SDI ou HDMI; a rede leva só o comando. Pelos manuais oficiais da linha ATEM, tanto das mesas de rack quanto da família ATEM Mini, a mesa comanda o gravador pelo ATEM Software Control ou por um painel de hardware: grava e para, toca, pausa, pula de clipe, repete um clipe ou a lista inteira em loop e roda o clipe sozinho quando o gravador entra no programa. O manual atual fala em até dez gravadores ligados à mesma mesa. Na prática isso vira três usos:
- Gravar o programa pela mesa. O operador inicia e para a gravação no mesmo lugar onde faz o corte, sem levantar para apertar o botão do rack.
- Vinheta, abertura e encerramento. O arquivo fica no cartão do gravador e o operador chama o clipe pela própria mesa, em vez de abrir um programa no computador no meio da transmissão. A mesa ainda faz a transição.
- Replay simples. Um trecho gravado volta ao ar pela mesa, para mostrar de novo uma jogada, um momento da cerimônia ou uma pergunta do público. Para não interromper o registro do programa, a recomendação é deixar o replay num segundo HyperDeck.
Para replay com vários ângulos e edição na hora, a Blackmagic tem um painel específico para edição multicâmera de notícias e replay esportivo ao vivo, o DaVinci Resolve Replay Editor, e aí o projeto é outro.
O erro mais comum
A maioria das pessoas pensa em gravar e esquece de reproduzir. O gravador entra no projeto, grava bonito, e ninguém olha como o clipe da vinheta vai chegar lá. A recomendação é preparar esse arquivo no formato, na resolução e na taxa de quadros do projeto, para ele tocar igual ao resto do programa. A primeira pergunta da BCTV para quem quer vinheta no gravador é: quem vai preparar esse arquivo e onde ele fica guardado?
A segunda pergunta é sobre o conector. Nem todo modelo recebe os dois sinais: o HD Mini tem entrada só SDI, então nele o programa precisa chegar por SDI. Com um ATEM Mini, que sai em HDMI, o próprio manual da Blackmagic indica um conversor HDMI para SDI no caminho. O HD Plus, o HD Pro e o 4K Pro têm entrada HDMI e SDI. Esse detalhe muda o orçamento, e o artigo sobre HDMI ou SDI explica quando vale cada um.
Como escolher entre os modelos atuais
A resolução da transmissão e a mídia que a equipe já usa decidem quase tudo:
- Transmissão em 1080p, equipe pequena, cartão SD: o HyperDeck Studio HD Mini ou o HD Plus. O Plus tem entrada e saída HDMI, saída SDI de monitoração e painel frontal com fone e alto-falante.
- Operação em 1080p que quer SSD: o HD Pro, com dois SSDs de 2,5 polegadas e dois cartões SD, para quem grava por muitas horas seguidas.
- Fluxo em Ultra HD a 50 ou 60 quadros: o HyperDeck Studio 4K Pro, o único da linha Studio com 12G-SDI e Ethernet de 10 Gb/s, indicado quando o projeto já vai em 4K.
- Operação que precisa de 8K, CFast e controle de deck de emissora: a linha HyperDeck Extreme, com o Extreme 8K HDR e o painel Extreme Control. Para culto, aula e evento comum, isso é muito mais do que a maioria precisa.
Qualquer que seja o modelo, o princípio é o mesmo: o gravador acompanha a resolução do programa, não a da câmera mais cara que você tem. Gravador em 4K ligado a uma mesa de corte que sai em 1080p só aumenta o orçamento.
O que a BCTV pergunta antes de indicar
- Qual a resolução e a taxa de quadros que a mesa entrega no programa?
- A equipe vai reproduzir vinhetas ou clipes pelo gravador, ou só gravar?
- Quanto tempo contínuo de gravação, e quem confere a mídia antes de começar?
- O gravador fica no rack ou viaja de evento em evento?
Com essas respostas, o modelo praticamente se escolhe. Dá para ver como isso entra no desenho completo no projeto culto completo, onde o gravador de rack é peça da proposta. Se a sua operação ainda grava só pelo computador, fale com a BCTV e descreva a mesa que vocês usam hoje: a gente indica o gravador que encaixa nela, e o que precisa mudar na ligação.


