Em que formato transmitir e em que formato gravar
São duas decisões diferentes, e confundir as duas é o que faz uma transmissão bonita virar um arquivo inútil na hora de editar.
Quase toda dúvida sobre formato de vídeo vem de misturar duas perguntas que não têm a mesma resposta:
- Em que formato eu transmito? Quem manda aqui é a plataforma e a sua internet.
- Em que formato eu gravo? Quem manda aqui é quem vai editar depois.
Responder as duas com o mesmo número é o erro mais comum, e o mais caro.
Na transmissão, o limite é o upload
Transmissão ao vivo é vídeo comprimido viajando pela sua internet. Não adianta configurar uma taxa alta se o upload não sustenta: a imagem trava, o som corta e o público sai.
A conta prática é essa:
| Resolução | Taxa comum | Upload que você precisa ter |
|---|---|---|
| 720p30 | 3 a 4 Mbps | pelo menos 8 Mbps estáveis |
| 1080p30 | 5 a 8 Mbps | pelo menos 15 Mbps estáveis |
| 1080p60 | 8 a 12 Mbps | pelo menos 20 Mbps estáveis |
A palavra que importa é estável. Upload que oscila derruba a transmissão do mesmo jeito que upload insuficiente, e a rede da casa é compartilhada com todo mundo que está ali.
Sobre o codec: para transmitir, H.264 continua sendo a escolha segura. Ele é aceito em qualquer plataforma e qualquer aparelho. HEVC entrega a mesma qualidade com menos banda, o que ajuda quando o link é ruim, mas nem todo destino aceita, então confira o que a plataforma pede antes de trocar.
Na gravação, o limite é quem edita
Aqui a lógica se inverte. O arquivo não vai viajar por internet nenhuma, vai para uma ilha de edição. Guardar o material com a mesma compressão da transmissão é jogar fora a qualidade que a câmera captou.
Três decisões que mudam a vida da edição:
- Grave separado do que foi ao ar. A gravação da mesa de corte com cada câmera isolada permite refazer um corte que saiu torto ao vivo.
- Use um codec de edição quando for editar de verdade. ProRes e DNxHR são pesados no disco e leves no computador. H.264 é o contrário: ocupa pouco espaço e trava a edição.
- 10 bits fazem diferença na correção de cor. Se o material vai passar por ajuste de cor, o arquivo de 8 bits racha antes.
O caso mais comum: culto, aula e evento
Para a maioria das operações que a BCTV atende, o desenho que funciona é este:
- A mesa de corte transmite em 1080p com H.264, direto para a plataforma.
- A mesma mesa grava cada câmera separada, em arquivo próprio, num SSD USB.
- Um gravador de rack guarda o programa em qualidade cheia, como registro, independente do computador da mídia.
O primeiro entrega o ao vivo, o segundo alimenta os cortes da semana, o terceiro garante que o evento existe em arquivo mesmo se algo falhar no meio.
Sobre vertical
Corte para Reels e Shorts não precisa de outra gravação. Se o material bruto está em 1080p ou mais, dá para recortar na vertical depois com qualidade suficiente. O que muda é o enquadramento na hora de gravar: deixe respiro em volta do assunto, porque o corte vertical come as laterais.
Quando a transmissão em si é vertical, aí sim o caminho é outro, com câmera e mesa que trabalham nativas em 9:16, e não recorte improvisado.
O erro que mais aparece na prática
Gravar tudo só no arquivo da transmissão, na mesma taxa comprimida do ao vivo. Funciona para publicar o vídeo do culto, e não funciona para mais nada: não dá para corrigir cor, não dá para cortar de outra câmera e não dá para usar num material institucional.
Se alguém edita depois, a gravação precisa ser decidida antes do ao vivo, não depois. Fale com um consultor antes de fechar o projeto: é uma conversa de dez minutos que evita um ano de material ruim.


