A internet que não cai no meio do ao vivo
Upload não é velocidade de download, e wi-fi não é rede. Três decisões simples explicam quase toda transmissão que trava.
A transmissão travou no meio. O equipamento é bom, a imagem estava bonita, e mesmo assim o público viu aquele círculo girando. Quase sempre a causa está em um destes três pontos, e nenhum deles é o equipamento de vídeo.
1. Upload é o número que importa, e ninguém olha para ele
O plano contratado anuncia a velocidade de download, que é o que interessa para assistir a filme. Transmissão faz o contrário: ela envia.
Em boa parte dos planos residenciais, o upload é uma fração pequena do download. O resultado é uma internet que parece ótima no teste e que não dá conta de subir vídeo por uma hora seguida.
Duas contas rápidas para levar ao consultor:
- Transmissão em 1080p costuma pedir algo entre 6 e 10 Mbps de upload estáveis
- Reserve pelo menos o dobro da taxa da transmissão, porque a rede é compartilhada com o resto da casa
O importante é a palavra estável. Upload que oscila derruba a transmissão do mesmo jeito que upload insuficiente.
2. Wi-fi não é rede
O ponto de acesso do templo, da faculdade ou do hotel atende dezenas de celulares ao mesmo tempo. Quando a sala enche, a sua transmissão passa a disputar espaço com todo mundo que chegou.
A regra é simples e não tem exceção: a mesa de corte entra na rede por cabo. O cabo custa pouco, a obra é pequena e resolve uma categoria inteira de problema. Wi-fi serve para o celular do pastor e para o notebook do palestrante, não para o sinal que está indo ao ar.
3. Quando não existe rede boa, some as que existem
Em evento externo, praça, sítio, estádio e centro de convenções, a internet do local costuma ser justamente a pior parte do projeto. É aí que entra o encoder de mochila.
O equipamento junta várias conexões ao mesmo tempo, chips de operadoras diferentes, wi-fi e cabo, e transmite como se fosse uma linha só. Se um caminho piora, os outros seguram. É a mesma lógica da equipe de jornalismo que entra ao vivo de qualquer lugar.
Duas recomendações práticas:
- Use operadoras diferentes. Quatro chips da mesma operadora caem juntos, porque a antena que congestiona é a mesma.
- Teste no local e no horário do evento. Sinal de terça de manhã não diz nada sobre sábado à noite com dez mil pessoas na mesma praça.
O que fazer quando a queda acontece mesmo assim
Nenhuma estrutura elimina o risco. O que dá para fazer é garantir que a queda não apague o conteúdo:
- Grave localmente, sempre. Mesmo quando a transmissão cai, o arquivo continua sendo gravado no equipamento. É o que salva o registro do evento e o conteúdo da semana.
- Prefira protocolos feitos para internet ruim. SRT, por exemplo, foi criado justamente para atravessar rede instável com perda mínima, e é o que os equipamentos de contribuição profissional falam.
- Tenha um segundo caminho. Pode ser o roteador 4G de reserva, pode ser o link de mochila. O que não pode é ter um caminho só quando o evento não se repete.
O resumo que a gente passa por telefone
Antes de falar de câmera, a BCTV pergunta três coisas sobre a sua internet: qual o upload contratado, se a mesa entra por cabo ou por wi-fi e se o local do evento tem sinal de celular decente.
Com essas respostas dá para dizer se o projeto precisa de link de mochila, de um processador de transmissão dedicado ou só de um cabo de rede bem passado. Muitas vezes é o cabo. Fale com um consultor antes de comprar o que talvez você não precise.



