Shure SM7B ou SM7dB: o mesmo som, com ou sem pré-amplificador
O SM7dB é o SM7B com um pré-amplificador dentro. A escolha depende menos do microfone e mais do aparelho em que ele vai ser ligado.
O SM7B é o microfone de locução mais conhecido do rádio e do podcast. O SM7dB veio depois, com a mesma cara e uma diferença que não aparece por fora: um pré-amplificador embutido.
Na prática, a pergunta não é "qual soa melhor". Com o pré desligado, o SM7dB volta ao som do SM7B, e a própria Shure descreve assim o modo bypass. A pergunta certa é: o aparelho onde você vai ligar o microfone tem ganho sobrando?
O que os dois têm em comum
- Dinâmicos e cardioides. Captam quem está na frente e ignoram boa parte da sala, o que salva estúdio sem tratamento acústico.
- Resposta de 50 Hz a 20 kHz, desenhada para voz.
- Chaves de corte de graves e de reforço de presença, para ajustar o timbre no próprio microfone.
- Blindagem contra zumbido de monitor, luz e aparelhos elétricos por perto.
- Saída XLR, para mesa, interface ou console.
A diferença: de onde vem o ganho
O SM7B tem saída baixa: sensibilidade de -59 dBV/Pa. Para comparar, o SM58, que já não é um microfone de saída alta, fica em -54,5 dBV/Pa. Isso quer dizer que o SM7B precisa de um pré-amplificador com bastante ganho limpo.
Ligado numa interface pequena ou numa mesa de entrada, o que acontece é conhecido: você gira o ganho até o fim, a voz ainda fica baixa, e quando sobe o volume aparece o chiado. A solução comum é colocar um reforçador de ganho entre o microfone e a mesa.
O SM7dB traz esse reforço dentro. Uma chave no microfone escolhe entre três posições:
- Bypass: o pré fica desligado e o microfone se comporta como um SM7B, com -59 dBV/Pa.
- +18 dB: a sensibilidade sobe para -41 dBV/Pa.
- +28 dB: sobe para -31 dBV/Pa.
Com o pré ligado, a mesa não precisa mais trabalhar no limite, e o chiado some junto.
O cuidado com o SM7dB: phantom power
O pré-amplificador do SM7dB é alimentado pela phantom de 48 V da mesa ou da interface. Sem phantom, ele só funciona em bypass, ou seja, volta a ser um SM7B com saída baixa.
Antes de fechar, confira duas coisas:
- A mesa fornece phantom em cada canal onde vai ter um SM7dB.
- A chave de phantom está ligada no canal. Parece óbvio, mas é o erro mais comum no primeiro dia.
Peso
O SM7dB é um pouco mais pesado: 837 gramas, contra 764 gramas do SM7B, nos números da Shure. Num braço articulado de boa qualidade, a diferença não muda nada. Num braço leve, confira a carga que ele aguenta.
Qual combina com cada estúdio
Escolha o SM7B se:
- o microfone vai para um console de rádio ou uma interface com pré-amplificador de ganho alto e limpo;
- o estúdio já tem reforçador de ganho para cada microfone;
- a mesa não fornece phantom, ou você prefere não depender dela.
É o caso do estúdio de rádio com vídeo, em que o SM7B entra como opcional, ligado na mesa de áudio que a rádio já tem. Vale conferir o ganho dessa mesa antes.
Escolha o SM7dB se:
- a mesa ou a interface é pequena, com ganho curto;
- você quer tirar o reforçador externo da bancada, e com ele um cabo e um ponto de falha;
- o podcast tem várias cadeiras e cada uma precisa chegar limpa na mesa.
É o caso do podcast em vídeo, em que cada cadeira tem o seu SM7dB ligado numa mesa de áudio com phantom, e não direto na mesa de corte.
Um cuidado que vale para os dois
São microfones de voz próxima. A boca precisa ficar perto, a poucos dedos da grade. Longe do microfone, a sala aparece e a voz perde corpo, com ou sem pré. Para quem precisa gravar direto no computador, sem mesa, o caminho é um microfone com saída USB.
A tabela lado a lado está na comparação entre SM7B e SM7dB, e a resposta curta está na página da Shure. Se a dúvida ainda for o tipo de microfone, veja dinâmico ou condensador e o texto sobre microfone para transmissão.
Na dúvida, fale com um consultor e diga em que mesa ou interface o microfone vai ser ligado. Com esse dado, a escolha sai na hora.


