NDI, SRT ou RTMP: qual protocolo usar em cada ponta
Os três levam vídeo pela rede, mas cada um resolve um trecho diferente do caminho. Confundir os três é o que faz a transmissão travar justamente no ponto em que tudo parecia pronto.
Quando o vídeo deixa o cabo coaxial e passa a andar pela rede, aparecem três siglas em quase toda ficha técnica: NDI, SRT e RTMP. Elas não competem entre si. Cada uma foi feita para um trecho diferente do caminho do vídeo.
O jeito mais fácil de entender é olhar para o caminho inteiro, da câmera até quem assiste.
O caminho do vídeo em três trechos
- Dentro do prédio: da câmera até a mesa de corte, entre computadores, até o telão da sala ao lado.
- Atravessando a internet: do evento até a emissora, da praça até o estúdio, de uma casa para outra.
- Chegando na plataforma: do encoder até o YouTube, o Facebook ou o servidor de streaming.
Cada protocolo mora num desses trechos.
NDI: vídeo pela rede local
O NDI leva vídeo pela rede do próprio prédio, entre equipamentos que estão no mesmo lugar. Câmera, mesa de corte, computador da letra e gravador passam a se enxergar pela rede, sem cabo de vídeo dedicado entre cada um.
Existem duas famílias:
- NDI completo, com pouca compressão e qualidade de produção, que pede rede local de boa capacidade.
- NDI HX, comprimido, mais leve para a rede, que aparece em muitos encoders e câmeras compactas.
Onde ele brilha: produção dentro de um prédio, com várias fontes e vários destinos, e a vontade de parar de passar cabo de vídeo por cada canto.
Onde ele não serve: atravessar a internet. O NDI foi pensado para rede local.
Para colocar uma câmera SDI ou HDMI já existente dentro de uma rede NDI, entram conversores como os N3 e N4 da Kiloview, que codificam ou decodificam conforme a necessidade.
SRT: atravessar a internet sem quebrar
O SRT foi criado para o trecho mais difícil: levar vídeo pela internet pública, que perde pacotes, varia de velocidade e atrasa. Ele recupera o que se perdeu no caminho e mantém o atraso baixo e previsível, além de permitir criptografia.
É o protocolo de contribuição: do evento para a emissora, do repórter para o estúdio, da igreja que manda o sinal para a sede. Alguns servidores e plataformas também aceitam receber em SRT, o que vale conferir destino por destino.
A diferença entre NDI e SRT em uma frase está nesta resposta: NDI para a rede local, SRT para atravessar a internet.
Em transmissão externa, encoders de mochila como o Kiloview P3 falam SRT e somam chips de celular, wi-fi e cabo para o sinal atravessar a internet até a mesa de corte que fica em outro lugar.
RTMP: a porta de entrada das plataformas
O RTMP é o protocolo mais antigo dos três e o mais aceito pelas plataformas de transmissão. Quando o YouTube ou o Facebook pedem um endereço de servidor e uma chave de transmissão, é quase sempre RTMP (ou RTMPS, a versão criptografada).
Ele funciona bem nesse último trecho, do encoder até a plataforma. Não foi pensado para contribuição profissional em rede ruim: numa conexão instável, ele sofre mais do que o SRT.
Na prática, muitos equipamentos fazem os dois. O ATEM Mini Pro, por exemplo, transmite em RTMP ou SRT, e o encoder Kiloview S2 fala SRT, RTMP, HLS e NDI HX ao mesmo tempo.
E o SMPTE ST 2110?
É outro mundo: vídeo sem compressão pela rede, padrão de emissora, que pede rede dedicada de alta capacidade e relógio sincronizado. Não é o que resolve igreja, evento ou sala de aula, e é assunto para uma conversa específica com o consultor.
Um exemplo de caminho completo
Um congresso em outra cidade, transmitido pela sede da empresa:
- No local, as câmeras entram na mesa de corte por cabo ou pela rede local, em NDI.
- O programa sai do evento para a sede em SRT, atravessando a internet com um link que soma várias conexões.
- Na sede, o sinal é recebido, entra no grafismo da casa e segue para a plataforma em RTMP.
Três protocolos, cada um no seu trecho, e nenhum fazendo o trabalho do outro.
Os erros mais comuns
- Tentar mandar NDI pela internet. Ele foi feito para a rede local.
- Mandar RTMP para a sede em internet de evento. Na primeira oscilação, a imagem trava. Para contribuição, SRT.
- Colocar NDI completo numa rede de escritório cheia. A qualidade é alta, e a banda também. Rede de produção se planeja junto com o equipamento.
- Não conferir o que o destino aceita. O encoder pode falar SRT, mas o servidor do outro lado precisa aceitar SRT também.
Por onde começar
Desenhe o caminho do vídeo antes de escolher equipamento: de onde sai, por onde passa e onde chega. Com o desenho na mão, o protocolo de cada trecho praticamente se escolhe sozinho. O projeto de externa com link ao vivo e o de transmissão em maleta mostram esse caminho montado.
Se você já tem parte do equipamento e não sabe se ele conversa com o resto, fale com um consultor listando o que existe em cada ponta. É a conferência que evita descobrir no dia que os dois lados falam línguas diferentes.



