Microfone de lapela sem fio: como escolher sem errar
Para uma ou duas vozes em câmera ou celular, um sistema digital de 2,4 GHz resolve. Para muitas vozes no mesmo lugar, UHF profissional. Veja onde prender o microfone e o que decide a escolha.
Quem grava sozinho ou com mais uma pessoa, em câmera ou celular, costuma ficar bem servido com um sistema digital de 2,4 GHz, como a linha Lark da Hollyland: pequeno, sem configuração, com receptor que encaixa no aparelho. Quem vai colocar várias vozes ao mesmo tempo no mesmo lugar, como um culto, um congresso ou uma sala de aula, precisa de um sistema UHF profissional, como os da Shure e da Sennheiser. Os dois tipos fazem o mesmo trabalho. A diferença está no que acontece quando o lugar fica cheio.
2,4 GHz ou UHF: a pergunta é o lugar
O sistema de 2,4 GHz usa a mesma faixa do wi-fi e do bluetooth. A Hollyland informa que o Lark M2 transmite com salto adaptativo de frequência (AFH). Funciona muito bem em estúdio, rua e entrevista. O ponto fraco aparece em sala lotada de celulares e roteadores, onde a faixa é disputada.
O sistema UHF opera em outra faixa, a dos canais de TV, que o wi-fi não ocupa. É o que se usa quando o lugar é difícil e há várias vozes. A Shure informa que o SLX-D+ aceita até 11 sistemas simultâneos em bandas de TV de 6 MHz, e a Sennheiser diz que o EW-D permite até 90 canais em 56 MHz de largura de sintonia.
O que a BCTV pergunta antes de indicar:
- Quantas pessoas falam ao mesmo tempo? Uma ou duas: 2,4 GHz. A partir de quatro vozes, a nossa recomendação é começar a olhar UHF.
- O lugar é cheio de gente com celular? Auditório, templo e feira pedem teste ou UHF.
- Tem outros sistemas sem fio ligados no mesmo espaço? Microfone de mão, retorno de palco e intercom entram na conta.
Quantos canais e quantos microfones juntos
Cada fabricante conta de um jeito, e o número muda o orçamento. No Lark MAX 2, um receptor trabalha com até 4 transmissores, segundo a Hollyland. No UHF, o número que importa é quantos sistemas cabem juntos no mesmo lugar sem se atrapalhar: 11 no SLX-D+ em banda de 6 MHz, conforme a Shure.
O erro comum é comprar vários sistemas completos e ligar todos no mesmo ambiente sem plano. Em UHF, as frequências são escolhidas uma a uma, depois de uma varredura do lugar, e é isso que mantém os canais limpos. Em 2,4 GHz, o teste com o local cheio, no horário real, substitui a varredura. Com quatro microfones sem fio ou mais, recomendamos tratar esse plano como parte do projeto.
Onde prender e como esconder
A Shure recomenda manter a lapela perto do peito, e o lugar certo depende da roupa:
- Camisa ou blusa: acima do esterno, com o cabo passando por dentro da roupa.
- Gravata: também acima do esterno, com o cabo escondido atrás da gravata.
- Camiseta ou suéter: na gola, afastada do pescoço.
A própria Shure alerta para outros pontos: a lapela deve ficar o mais perto da boca que for prático e nunca sob camadas de roupa. Mantenha o microfone sempre no mesmo lugar, para o timbre e o volume não mudarem de um dia para o outro.
Na prática de montagem, recomendamos prender o transmissor em lugar firme (cinto, bolso interno) e deixar uma folga no cabo, para o movimento não puxar a cápsula. E, se a pessoa vai para o púlpito com outro microfone, desligue a lapela: a Shure explica que os dois microfones abertos deixam a voz oca e com microfonia. O texto sobre microfone para transmissão explica o porquê.
Gravação interna de segurança
Em sistema sem fio, o risco é o sinal falhar justamente na fala que não se repete. Algumas lapelas gravam dentro do próprio transmissor. O Lark MAX guarda 8 GB, cerca de 14 horas de WAV a 48 kHz e 24 bits. O Lark MAX 2 grava também em ponto flutuante de 32 bits, com cerca de 10 horas nesse modo, segundo a Hollyland, que apresenta o recurso pela faixa dinâmica maior para picos de voz alta.
A conta é simples: se a fala não se repete (pregação, casamento, depoimento), a gravação interna é um seguro barato. Se dá para refazer, ela é opcional. A comparação completa está em Lark M2 ou Lark MAX. Nos sistemas UHF, a segurança costuma ser outra: uma segunda via gravada a partir da saída do receptor.
Ligar na câmera, no celular ou na mesa
O caminho do som decide qual receptor você precisa:
- Câmera: receptor com cabo de 3,5 mm para a entrada de microfone. O Lark M2 tem versão de receptor para câmera, segundo a Hollyland. Ajuste o nível na câmera, porque entrada de microfone e de linha não são a mesma coisa.
- Celular: receptor que encaixa direto, USB-C ou Lightning, sem cabo e sem adaptador.
- Computador: receptor que se apresenta como placa de som USB, sem interface externa. A Hollyland descreve isso no Lark M2 e no Lark MAX.
- Mesa de som: aqui o receptor de rack em UHF costuma ser a escolha, porque entra na mesa como qualquer outro canal. Se a casa já tem mesa, comece por ela.
O projeto Conteúdo no celular com som de verdade mostra o caminho do celular montado.
Alcance, latência e bateria
Alcance de folheto é medido ao ar livre e em linha de visada. O Lark M2 declara 300 metros assim, e 40 ou 60 metros sem linha de visada (versão para câmera ou para celular), segundo a Hollyland. Em ambiente real, com corpo, parede e gente, conte com bem menos.
A latência é o atraso entre a voz e o som que chega ao receptor. A Sennheiser informa 1,9 ms no EW-D, a Shure informa 2,8 ms no SLX-D+ e a Hollyland informa 20 ms no Lark MAX 2. Para gravar, os três servem. Para quem monitora no fone e fala ao mesmo tempo, a diferença pode ser notada.
Na bateria, o Lark M2 informa cerca de 10 horas no transmissor, e o SLX-D+ e o EW-D rodam até 8 horas com duas pilhas AA. Em evento longo, deixe a troca de pilha ou a recarga marcada no roteiro.
Qual levar
- Uma ou duas vozes, câmera ou celular, lugar controlado: sistema 2,4 GHz tipo Lark. Se a fala não se repete, escolha o modelo com gravação interna.
- Várias vozes, lugar cheio ou instalação fixa: UHF profissional, com plano de frequências feito no local.
- Os dois no mesmo evento: possível, desde que cada sistema tenha o seu papel e tudo seja testado com o lugar cheio.
Se você já sabe quantas pessoas vão falar, onde e para onde vai o som, fale com um consultor da BCTV. Com essas respostas, a gente fecha o sistema, o plano de frequências e o que sobra de orçamento para o resto do projeto.






