Kit de podcast: o que comprar em cada tamanho de estúdio
Um kit de podcast muda com o número de cadeiras e com a decisão de filmar ou não. Três tamanhos, o que entra em cada um e a ordem certa de compra.
O kit de podcast certo depende de três coisas: quantas pessoas sentam à mesa, se o programa tem imagem e se alguém vai cortar o vídeo depois. Para uma pessoa, bastam um microfone dinâmico e um fone. Para duas ou três, entra uma mesa de áudio com phantom. Para videocast, entram câmeras, uma mesa de corte e luz. Em todos os tamanhos, o áudio vem antes da imagem.
A regra que vale para os três tamanhos
Quem ouve perdoa imagem simples e desiste de áudio ruim. Por isso a ordem de compra quase nunca muda:
- Microfone e fone.
- O caminho do som: interface ou mesa de áudio.
- Tratamento da sala.
- Luz.
- Câmeras e mesa de corte.
Quem começa pela câmera costuma gastar duas vezes: compra a câmera, descobre que o áudio está fraco e volta para comprar o resto.
Tamanho 1: uma pessoa, direto no computador
O perfil: você apresenta sozinho, ou recebe um convidado de vez em quando. Grava no computador, sem operador.
O que entra:
- Microfone dinâmico de locução. Dinâmico porque capta quem está na frente e deixa a sala de fora, o que ajuda em quarto sem tratamento.
- Microfone com interface embutida. O Shure MV7i liga por USB-C e tem uma entrada combinada XLR e P10 com phantom de 48 V. A Shure informa gravação em duas faixas mono separadas: uma do microfone, outra da entrada. É o que permite receber um convidado sem mesa de som.
- Um segundo microfone, se houver convidado. O Shure MV7X é só XLR e entra na entrada combinada do MV7i.
- Fone fechado. Um modelo de monitoração como o Sennheiser HD 280 PRO, fechado e dobrável, com atenuação de ruído externo de até 32 dB segundo a Sennheiser. Fechado importa: fone aberto vaza som para o microfone.
- Braço articulado. A posição do microfone, bem na frente da boca, faz mais diferença do que a troca de um modelo por outro.
O que ainda não entra: mesa de áudio, câmeras, mesa de corte. O projeto de podcast solo monta exatamente esse degrau.
Tamanho 2: duas a três pessoas, uma mesa de áudio
O perfil: o programa tem apresentador e convidados na mesma mesa, às vezes só em áudio, às vezes com imagem simples.
O limite do tamanho 1 aparece rápido: com três vozes, a interface embutida acaba. O que entra no lugar:
- Um microfone para cada cadeira. Todos do mesmo modelo, para as vozes soarem do mesmo jeito na mistura. A escolha entre SM7B e SM7dB está em Shure SM7B ou SM7dB, e não vale repeti-la aqui. O resumo: o SM7dB traz pré-amplificador, mas o pré só funciona quando a mesa dá phantom de 48 V.
- Uma mesa de áudio com entrada XLR e phantom para cada microfone. É a peça que mais falta nas listas que circulam por aí. Ela mistura as vozes, dá fone individual e entrega a mistura pronta.
- Um fone por pessoa. Quem apresenta precisa ouvir o que vai para a gravação, e o convidado precisa de retorno para não falar mais alto.
- Tratamento da sala. Sala de parede nua devolve eco para os três microfones ao mesmo tempo. Cortina grossa, tapete e painel atrás de cada convidado resolvem mais do que qualquer equipamento.
A pergunta que a BCTV faz antes de indicar a mesa: o áudio vai só para o computador ou também para uma mesa de corte, caso o programa vire vídeo? A saída de linha da mesa de áudio define qual modelo serve.
Tamanho 3: videocast, com câmeras, corte e luz
O perfil: o programa vai ao ar ou é gravado em vídeo, e o episódio rende cortes verticais para as redes.
Aqui o áudio do tamanho 2 continua igual. O que muda é a imagem, e junto vem a decisão que mais pesa no projeto: gravar cada câmera separada ou só o vídeo já cortado. Quem quer cortes para as redes precisa da primeira. O texto sobre gravação ISO mostra por que isso muda a semana de quem edita.
- Mesa de corte com gravação separada. O ATEM Mini Pro ISO tem quatro entradas HDMI e, segundo a Blackmagic, grava feeds limpos de todas as entradas e do programa. Para uma mesa com mais cadeiras, o ATEM Mini Extreme ISO G2 tem oito entradas HDMI, duas entradas XLR com phantom de 48 V e grava oito fluxos ISO mais o programa.
- Câmeras. Uma câmera de cinema para o plano geral, como a Blackmagic Pocket Cinema Camera 6K Pro, e câmeras PTZ como a Wired WT9760 4K para os convidados, que se reposicionam sem ninguém levantar da cadeira.
- Luz. Um painel suave de cada lado da mesa, como o amaran F21x.
- SSD para a gravação separada. Várias entradas gravando ao mesmo tempo pedem disco rápido e com espaço para o episódio inteiro. Esse item costuma ficar de fora da lista de quem monta sozinho.
O projeto de podcast com convidados reúne essa combinação: um ângulo por cadeira, tudo gravado separado, transmissão e gravação ao mesmo tempo.
Os erros que mais aparecem
- Câmera boa com sala sem tratamento. O vídeo fica bonito e o áudio fica de banheiro.
- Microfone de baixa saída ligado em interface pequena. Ganho no máximo, voz baixa, chiado. Confira o ganho disponível antes de fechar o microfone.
- Fone aberto. O som do fone volta para o microfone e aparece na gravação.
- Tudo num fio só. Se o computador trava, o episódio inteiro vai junto. Quem grava por mesa de corte com gravação própria tem uma segunda cópia.
- Comprar para o programa que ainda não existe. Comece no tamanho que cobre o episódio de hoje e deixe o caminho aberto para o próximo degrau.
Qual tamanho é o seu
Se você grava sozinho e o convidado é exceção, o tamanho 1 resolve e a mesa de áudio pode esperar. Se toda semana senta mais de uma pessoa à mesa, vá direto para a mesa de áudio. Se o episódio vira vídeo e corte, comece pelo som do tamanho 2 e deixe a imagem para o passo seguinte.
Para montar a lista com os números do seu estúdio, fale com um consultor contando quantas cadeiras o episódio mais cheio tem, se o programa vai ao vivo ou só grava, e quem faz o corte. Se preferir ver um ponto de partida, os projetos para criadores mostram o que cada porte inclui e o que fica de fora.






