ATEM Television Studio: quando é hora de sair do ATEM Mini
Câmera longe, retorno para o cinegrafista, intercom e painel físico são os sinais de que o Mini ficou pequeno. O que a linha Television Studio entrega e o que muda na instalação.
Você sai do ATEM Mini quando o problema deixa de ser quantidade de entradas e passa a ser distância e comunicação: câmeras que não chegam por HDMI, cinegrafistas que precisam ver o programa e ouvir o diretor, e um operador que precisa de painel de verdade. Se o seu caso é só "faltam entradas", a resposta provavelmente está dentro da própria linha Mini.
Esse é o ponto que a gente confere antes de indicar a linha ATEM Television Studio, da Blackmagic.
Antes de trocar: o Mini Extreme já resolve muita coisa
O ATEM Mini Extreme tem oito entradas HDMI. Segundo a Blackmagic, o Extreme ISO G2 grava as oito entradas em arquivos separados e envia sinalização às câmeras Blackmagic HDMI. Ou seja, mais entradas, multiview e gravação ISO não são motivo, por si, para trocar de linha. O multiview do Mini Extreme chega a 16 janelas, o mesmo número que a Blackmagic informa para o Television Studio.
O erro comum é comprar o rack porque "o Mini acabou", quando o que acabou foi a paciência com o cabo HDMI. Trocar de mesa não resolve cabo; trocar de padrão resolve.
Os sinais de que o Mini ficou pequeno
- Câmera longe da mesa. O HDMI vai bem até cerca de 15 metros, como explicamos em HDMI ou SDI: até onde vai cada um. Templo com mezanino, auditório com cabine no fundo e plenário passam disso. Conversor nas pontas funciona, mas com oito câmeras vira oito pares de conversores, oito fontes e oito pontos de falha.
- O cinegrafista precisa saber quando está no ar. Sem retorno de programa pelo cabo, ele descobre pelo gesto de alguém. Numa equipe de seis ou oito pessoas, isso deixa de funcionar.
- A equipe precisa falar durante o culto ou o jogo. Diretor falando com cada cinegrafista pede intercom ligado à mesa, e o Television Studio traz essa conexão de fábrica.
- O operador cansou de mouse e teclado. Transição, chaves e áudio no controle do aplicativo funcionam para quem opera sozinho. Para uma equipe com um diretor de corte, painel físico é ferramenta de trabalho.
- A instalação é fixa. Rack na cabine, cabo na canaleta, equipe que repete a rotina toda semana.
Se aparecem dois ou três desses sinais juntos, a conversa muda de mesa.
O que a linha Television Studio entrega
Segundo a Blackmagic, os três modelos têm oito entradas SDI, painel de controle integrado à própria mesa (com alavanca de transição, chaves upstream e downstream, controle de áudio com display e teclado numérico), mixer de áudio, multiview de até 16 fontes e conexão de intercom, com conector de headset de 5 pinos e ligação a sistemas como ClearCom e RTS.
Duas características pesam mais na decisão do que a ficha inteira:
- Retorno para as câmeras. Nos modelos HD, a Blackmagic informa saídas SDI suficientes para enviar um retorno de programa separado a cada câmera, e esse retorno carrega sinalização, intercom e controle. É o recurso que mais muda a vida de quem opera a câmera.
- Controle de câmera. Com câmeras Blackmagic de estúdio, como a Blackmagic Studio Camera 4K Pro G2, o operador da mesa ajusta a imagem sem sair da cabine. A gente confirma quais ajustes cada câmera aceita pelo cabo.
Os modelos são:
- HD8: entradas 3G-SDI e gravação do programa. É a escolha de quem quer o painel e o SDI e não edita depois.
- HD8 ISO: tudo do HD8 mais a gravação das oito entradas em arquivos separados. Quem hoje usa o ISO do Mini e cresceu deve começar a comparação por aqui. A rotina de edição está em gravação ISO: cada câmera separada.
- 4K8: oito entradas 12G-SDI, para trabalhar em Ultra HD, e gravação do programa. Não grava ISO. Segundo a Blackmagic, a gravação ISO está nos modelos HD8 ISO.
Cada um existe também em versão com 2 TB de armazenamento interno, para quem não quer depender de disco externo.
Para o 4K8, o orçamento tem uma pergunta anterior: as câmeras entregam Ultra HD em SDI e a transmissão vai sair em Ultra HD? Se a plataforma, o telão e a internet da igreja trabalham em Full HD, o 4K8 paga uma resolução que ninguém vai ver.
O que muda na instalação
A mesa é só uma parte da troca. O que costuma pegar o cliente de surpresa:
- Cabeamento SDI. Cabo coaxial com conector BNC, que rosqueia e não solta. Em obra, entra no cronograma como item próprio, com eletroduto, passagem e identificação de cada ponta.
- Câmeras com saída SDI. A câmera fotográfica de HDMI continua útil com conversor, mas câmera de estúdio com SDI e retorno é o que aproveita o painel. O projeto De HDMI para SDI: a igreja que cresceu mostra o caminho em etapas.
- Intercom. A mesa tem a conexão, mas cada cinegrafista ainda precisa de um headset. A escolha entre cabeado e sem fio está em intercom: quando a equipe precisa.
- Rack e energia. A Blackmagic informa consumo de até 100 W nos modelos HD e 120 W no 4K8. Ventilação e tomada na cabine também são conversa de projeto.
- Treino do operador. Quem veio do Mini continua com o ATEM Software Control, mas passa a operar pelo painel físico. Reserve ensaio antes do primeiro culto ou jogo no ar.
A pergunta que a BCTV faz antes de indicar
Perguntamos três coisas: qual a distância da câmera mais longe, quantas pessoas ficam na equipe e se a gravação separada por câmera vai ser usada. Com isso, a escolha entre Mini Extreme, HD8, HD8 ISO ou 4K8 costuma se resolver em uma conversa.
Se você está no limite do Mini e não sabe se é caso de trocar a mesa ou só o cabo, fale com um consultor em contato. A gente mede a cabine, lista o que dá para reaproveitar e só então fala de equipamento.


